sábado, 15 de abril de 2017

Mais um relato da guerra

"Eis um pequeno fato:
você vai morrer"

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

     Pensar em começar a contar uma história com uma colocação tão forte e sombria como essa realmente é algo que pode lhe afastar do que ela conta? Não mesmo! Até porque ninguém pode afastar-se da realidade, e é isso que essa história vem lhes contar. É verdade que conflitos, como foi as duas grandes guerras mundiais, trazem consigo a dor e o ódio que apenas quem vive aquele momento pode entender o peso deses sentimentos,mas também é verdade que elas tem muitas histórias para contar, essa é uma delas.


     Viver a realidade sem saber sua magnitude é realmente um desafio, principalmente para a nossa protagonista. Pense nessa pequena ideia: Uma garotinha na Alemanha nazista, entregue pela mãe a uma família em uma cidade desconhecida, buscando entender algo que está muito além do que ela pode compreender, mas ainda sim, presente em tudo que a cerca, como se fosse algo que dependesse da própria existência das coisas, encrustado nessa realidade que tanto a toca, mas menos a entende, até porque, aquilo que se mostra é a guerra, a morte.
                                           

"É só uma história, na verdade,sobre,entre outras coisas:

ALGUMAS PALAVRAS
UM ACORDEONISTA
UNS ALEMÃES FANÁTICOS
UM JUDEU LUTADOR
E UMA PORÇÃO DE ROUBOS"

     Enquanto livros eram incendiados em grandes fogueiras, pessoas torturadas, lojas reduzidas a cacos e campos de concentração cada vez mais povoados a fim de aumentar o ego de um dado Führer e "tornar grandiosa" uma nação, Liesel Meminger buscou nas palavras aquilo que nem ela sabia ler dirito, mas as sentiu e entendeu a força que elas tinham, de mudar o mundo, de salva-lo ou destrui-lo, de perder-se ou encontrar-se, o que daria sentido a vida e a morte. Sim! Palavras iniciam guerras e as mesmas estabelecem a paz, e no fim, lá estão elas, como uma arma usada inocentemente pelos humanos.


     O tormento da guerra traz a morte, mas de uma maneira paradoxa também a vida, ela estava lá no acordeão do pai e nos seus olhos de prata, na maneira como piscava e nos cigarros;nas colheres de pau da mãe sempre ameaçando uma nova "watschen", na sua língua comprida muito bem casada com a paciência curta, em ser uma boa mulher em tempos de crise e na roupa lavada; nos livros da mulher do prefeito com aquele ar distraído e melancólico; na interpretação meteorológica de um judeu renegado bom de socos e palavras cruzada, do Mein Kampf e um boneco de neve que nunca vai derreter; e no beijo nunca dado do melhor amigo da casa ao lado, correndo pintado de carvão na noite nazista, nos "saumensch" e todo o resto; até na morte, elas estão bem escondidas, observando sorrateiramente, basta apenas

ler, sentir, viver

"QUANDO A MORTE CONTA UMA HISTÓRIA, VOCÊ DEVE PARAR PARA LER"



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